
PEQUENAS CONCESSÕES, GRANDES PERIGOS
julho 9, 2026Certo homem, estudioso e interprete da lei, se levanta e pergunta para Jesus o que deveria fazer para herdar a vida eterna, mas seu tom de curiosidade e dúvida revelavam que seu interesse era colocar Jesus a prova, como nos relata o texto de Lucas 10.25. Ao olhar para este personagem me pergunto como pode alguém querer testar o Senhor, mas logo vejo que sua intenção ainda é presente em muitos corações. Quem não gostaria de receber uma fórmula prática que garanta a entrada no paraíso? Jesus devolve a pergunta apontando para a lei, cujo homem demonstrava bom conhecimento: “Amar a Deus sobre todas as coisas e a seu próximo como a si mesmo”. Resposta correta, afirma o Senhor, e acrescenta: “Faze isto e viverás”. Agora com tom envergonhado e querendo se justificar, o interprete da lei quer saber de Jesus: “Quem é o meu próximo?”
É ai que Jesus leva todos os ouvintes a visualizarem um cenário extremo, mas que serve de exemplo para identificarmos nosso próximo em qualquer contexto em nossas vidas. A história é bem conhecida, um homem – provavelmente Judeu – que foi assaltado, espancado e deixado quase morto no trajeto entre Jerusalém e Jericó. Dois compatriotas da vítima, judeus religiosos, que deveriam se compadecer, ao ver a situação preferem passar longe e seguir o caminho. Um rival histórico, samaritano, presta socorro ao homem caído, leva-o para uma hospedaria, e arca com todas as despesas.
Muitos de nós talvez nunca encararemos uma situação como esta, mas o ponto principal de Jesus não é a necessidade, e sim quem foi o próximo daquele homem caído. Para o judeu, o samaritano era o mais improvável, porém os que “naturalmente” deveriam se compadecer passaram de largo, e aquele ao qual um judeu provavelmente não ajudaria, foi quem parou e prestou socorro. A necessidade da maioria das pessoas não é extrema como a do homem caído na história, e mesmo assim acabamos passando de largo muitas vezes.
Quando Jesus diz: “Vai e procede tu de igual modo” – ele está dizendo que, assim como o Samaritano, devemos colocar nossas diferenças de lado diante da necessidade de alguém, seja ela extrema e dolorosa, ou um simples copo de água. Para amar ao próximo como a nós mesmos devemos aprender a nos colocar na posição do outro, e fazer como gostaríamos que nos fizessem. Isso, somado ao amor a Deus sobre todas as coisas, é a base do cumprimento da lei de Deus (Mt22.40).
Essa é a vontade de Deus para nossa vida, que entendamos e vivamos como este “Bom Samaritano”. Que nossa vida reflita o amor de Deus por nós em nossas atitudes para nossos próximos, e que nossas palavras proclamem a Sua salvação.
Pr. Rodolpho Bueno.




